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A economia e a cultura japonesa impulsionam desenvolvimento do Amazonas

A presença japonesa no Amazonas não se restringe à contribuição para o desenvolvimento da sua economia. Alcança aspectos culturais e sociais.
publicado: 12/09/2008 00h00 última modificação: 19/07/2016 15h55

A presença japonesa no Amazonas não se restringe à contribuição para o desenvolvimento da sua economia. Alcança aspectos culturais e sociais. 

Essa é uma das principais conclusões do Seminário "Imigração Japonesa para a Amazônia: Raízes, Perspectivas e Vínculos com o Desenvolvimento Regional", durante a Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2008), que acontece até o próximo dia 13, no Studio 5 Centro de Convenções, em Manaus.

"As empresas japonesas vêm também com o princípio de contribuir com o lado social", disse o secretário municipal extraordinário de Projetos Especiais de Manaus, Tsuyoshi Miyamoto.

Em relação à economia do Amazonas, Myamoto destacou a presença de 23 indústrias japonesas, associadas à Câmara de Indústria e Comércio Nipo-Brasileira do Amazonas, instaladas no Pólo Industrial de Manaus (PIM), além de outras 11, totalizando 34. "Apesar de representarem menos de 10% do total das indústrias instaladas em Manaus, têm uma participação de 30% na economia. Essa força é especialmente notada no setor de duas rodas. Somente a Honda fabrica cerca de seis mil motos por dia", ressaltou. No total, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) contabiliza aproximadamente 600 empresas no PIM.

Em contrapartida para a sociedade, o secretário destacou que, além da contribuição com impostos, a comunidade industrial japonesa participa de ações sociais e ambientais no Estado, como o convênio que mantém com a Prefeitura de Manaus para manutenção de programas de refeições a preços populares.

A contribuição japonesa para a sociedade amazonense também foi enfatizada pelo pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Alfredo Homma. "Os japoneses chegaram com grande peso na economia após a queda da borracha, mas não com um desenvolvimento egoísta, e sim ensinando as culturas à população do Estado", defendeu.

Dividindo em ciclos (primeiro a juta, em seguida a pimenta, depois a fruticultura até a indústria), a contribuição japonesa ultrapassou os aspectos econômicos, segundo Homma. "Com o sucesso da fruticultura, os hábitos alimentares amazonenses se modificaram, com a entrada de mais hortaliças. Isso também foi uma contribuição da comunidade japonesa", disse.

Com a expansão do setor agrícola no País, Homma acredita que os papéis se inverteram e que a colaboração bilateral nipo-brasileira deve seguir novos rumos. "Hoje o Japão não tem mais o que ensinar para o Brasil em questões agrícolas, então os japoneses devem investir em tecnologia e conhecimento. Será necessário nacionalizar os componentes do PIM e trabalhar na despoluição dos rios para manter sua contribuição ambiental. Temos que deixar de ser fornecedores de matéria-prima e agregar valor, trabalhar o produto dessa biodiversidade", disse. Homma sugeriu ainda que, pela disponibilidade de matéria-prima, é possível se desenvolver na região uma indústria.