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Detecção e combate a doenças tropicais são discutidas no Minapim 2013

O evento de atualização científica e tecnológica, com importante papel no desenvolvimento de tecnologias para diagnóstico e tratamento de doenças tropicais, já é tradicional na Feira Internacional da Amazônia.
por Enock Nascimento publicado: 30/11/2013 16h06 última modificação: 16/02/2016 12h11

Doenças que matam mais de um milhão de pessoas por ano podem ser detectadas e combatidas com avançados sistemas inteligentes integrados. Pesquisas nesta área foram apresentadas no seminário de Micro e Nanotecnologia (Minapim 2013), cujo tema deste ano foi “Soluções de sistemas inteligentes para uma floresta sustentável”. O evento de atualização científica e tecnológica, com importante papel no desenvolvimento de tecnologias para diagnóstico e tratamento de doenças tropicais, já é tradicional na Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2013).

Todo dia morrem cerca de três mil pessoas no mundo, vítimas de doenças como o mal de Chagas e a malária, também chamadas de doenças negligenciadas devido à escassez de estudos sobre elas. A explicação é que, como elas afetam as populações mais pobres nos países menos desenvolvidos do mundo, não constituem um mercado lucrativo para as indústrias farmacêuticas. Para o representante da União Europeia no Brasil, Augusto de Albuquerque, eventos como o Minapim permitem que sejam formadas parcerias para resoluções de problemas como as moléstias esquecidas.

Albuquerque ressaltou como exemplo o projeto PodiTrodi (Point-of-care Diagnostics for Tropical Diseases), para o qual se formou um consórcio multidisciplinar de pesquisa, composto por oito instituições de cinco países europeus e cinco brasileiros. “O PodiTrodi é um sistema microfluídico autônomo barato, em tamanho de bolso, com biossensores integrados altamente sensíveis e seletivos para detecção confiável da doença de Chagas. Testes mostram resultados muito bons em comparação com os protocolos de referência”, detalhou Albuquerque, que é também líder da Unidade de Sistemas Micro e Nano da União Europeia. A solução poderá vir a ser adaptada para fornecer detecção confiável e acessível da leishmaniose, dengue, malária ou HIV.

O mal de Chagas foi a doença selecionada como modelo para o desenvolvimento desta plataforma diagnóstica por ser atualmente a quarta causa de morte mundial entre as doenças tropicais. Tradicionalmente endêmica no Brasil – ou seja, com um grande número de casos em várias regiões –, a doença de Chagas é transmitida pela picada do inseto barbeiro. O parasita que vive no estômago e no intestino do barbeiro se chama Trypanosoma cruzi e se espalha na corrente sanguínea quando o inseto pica o homem. Outra forma de transmissão é da mãe para o filho, na hora do parto ou pela via oral.

O grande problema é que a doença costuma ficar latente (dormente) por muitos anos, sem manifestar nenhum sintoma. Além disso, os sintomas demonstrados na fase aguda são muito gerais (febre não muito alta, fraqueza e palpitação) e se confundem com os de outras doenças, como a dengue. Por isso, o diagnóstico correto da doença de Chagas é essencial, já que o tratamento pode ajudar a reduzir o risco de lesões ao tecido cardíaco e a outros órgãos.

Malária
O uso de instrumentos tecnológicos capazes de reconhecer moléculas biológicas específicas, tais como os biossensores, podem ajudar no combate da malária, uma doença infecto-contagiosa grave causada por parasitas protozoários do gênero Plasmodium , transmitida pela picada do mosquito do gênero Anopheles.

Segundo o doutor em microeletrônica, Jair Fernandes de Souza, está sendo desenvolvido um estudo para impedir a reprodução do Anopheles, próximo de locais habitados. “Sabemos que esse mosquito só se reproduz em parâmetros específicos da água como PH e temperatura. A ideia é usar os biossensores para provocar reações eletroquímicas específicas e modificar tais parâmetros sem afetar a qualidade da água e, assim, evitar que o mosquito se reproduza”, explicou.

O Minapim, organizado pela SUFRAMA em parceria com o instituto alemão Fraunhofer, iniciou no dia 28, com 17 palestras distribuídas em três dias de discussões. No encerramento, dia 30, o representante do Instituto Fraunhoffer em Manaus, Hernan Valenzuela, agradeceu a todos os presentes e fez o convite para uma nova edição do evento em 2014.

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