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Especialistas apontam desafios do turismo na Amazônia

Discussão ocorreu durante a Jornada de Seminários da quarta Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2008), que aconteceu até o próximo sábado dia 13, no Studio 5 Centro de Convenções, em Manaus.
publicado: 12/09/2008 00h00 última modificação: 19/07/2016 17h24

As potencialidades da região amazônica no setor turístico e as melhores formas de aproveitá-las deram o tom do seminário “Turismo na Amazônia: dinâmicas em curso para sua alavancagem”. O evento, ocorrido nesta quinta-feira (dia 11), faz parte da Jornada de Seminários da quarta Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2008), que aconteceu até o próximo sábado dia 13, no Studio 5 Centro de Convenções, em Manaus.

De um bem de consumo supérfluo a uma das principais ferramentas de desenvolvimento, gerador de emprego e renda, o setor de turismo, em especial na Amazônia, exige planos bem elaborados de venda, marketing e incentivos, segundo o professor do curso de Gestão Mercadológica em Turismo e Hotelaria da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), Virgílio Nelson da Silva Carvalho. O plano, segundo ele, deve incluir metas e objetivos concretos de captação de visitantes por períodos definidos.

A definição clara dos produtos desenvolvidos por Estado e região, com preço e qualidade compatíveis, também constituem outro ponto de destaque no processo de alavancagem, segundo o professor. “Mas isso cabe ao empreendedor. Ao Estado compete a criação de políticas públicas que permitam enxergar locais de investimento”, salientou.

Virgílio apontou que é preciso ainda ter foco nos atrativos, distribuidores e mercado. Afirmou também que, na participação das regiões brasileiras que emitem visitantes para a Amazônia, o Norte do País representa absoluta maioria: 62,9%. “A Amazônia é destino de seu próprio mercado”. O principal Estado emissor de turismo para o Amazonas é o Pará, segundo estatísticas apresentadas pelo professor e baseadas na edição 73/2008 da revista Turismo em Números. “Esse público é, sim, importante para o turismo local, porque é preciso ter essa base para manter um empreendimento 365 dias ao ano. Tem que mostrar os diferenciais que podem ser encontrados aqui”.

Outro aspecto importante para o desenvolvimento do turismo na Amazônia é a relação entre qualidade dos serviços oferecidos e a expectativa do turista que chega à região, que, em sua maioria, tem poder aquisitivo mais elevado, segundo o professor. “Não temos ainda a qualidade em serviços no nível do poder aquisitivo dos visitantes, mas temos o que é mais importante , que supera esse ponto, que é a hospitalidade do povo brasileiro”.

Os avanços que o setor precisa para crescer podem ser alcançados com uma convergência de interesses que levem a região a se enxergar como destino turístico. “O espelho embaçado está aqui mesmo. Atitudes desencontradas nos impedem de nos consolidar como destino turístico, como aconteceu com o Nordeste”, comparou.

Políticas
Convergência de interesses também norteou o posicionamento do Coordenador Geral de Serviços de Turismo do Ministério do Turismo, Ricardo Moesch. “Vamos buscar uma aproximação com as bancadas parlamentares para que suas propostas estejam também voltadas para o setor. As políticas têm que convergir para uma mesma ação. Um programa de saneamento de uma praia, por exemplo, deve ser visto como uma ação com conseqüências para o setor turístico também”.

Moesch destacou as iniciativas do Ministério para o fortalecimento do turismo no País, incluindo a indicação e estruturação de 65 destinos com padrão de qualidade internacional, que abraçou todas as capitais e algumas outras cidades. No Amazonas, além de Manaus, Parintins e Barcelos entraram na lista do Ministério. “Manaus foi inserida por estar entre as capitais que são portas de entrada de seu Estado e que devem participar das ações voltadas para a Copa do Mundo. Parintins foi escolhida em função do Festival Folclórico dos bumbás Caprichoso e Garantido; e Barcelos pelo potencial em turismo de pesca do município”.

O secretário estadual de Esporte, Turismo e Lazer do Acre, Cassiano Figueira Marques de Oliveira, ressaltou a importância de se utilizar a marca “Amazônia” também no turismo. “A região não está ofertando de uma forma estruturada suas opções, basicamente pela falta de produtos, pela inexistência de roteiros integrados. Temos um grande potencial para empreendimentos aqui”. Segundo ele, a criação da Agência de Desenvolvimento do Turismo da Macro-região Norte, iniciativa do Fórum de Secretários e Dirigentes do Turismo da Região Norte, com parceria do Ministério do Turismo, deve atuar nessa lacuna. “A idéia é que essa agência venha para fomentar o marketing integrado”.