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Estudo comprova eficiência produtiva do PIM

Artigo “A Aplicabilidade da Lei de Kaldor-Verdoorn no Polo Industrial de Manaus (PIM)” descarta as críticas de que se se trata de uma indústria maquiladora e incapaz de crescimento endógeno (próprio) e comprova a eficiência produtiva do parque fabril manauara.
por Enock Nascimento publicado: 10/05/2017 11h10 última modificação: 11/05/2017 10h23

O modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) segue atraindo a atenção não apenas de investidores, mas também da academia. A exemplo de vários outros, um dos mais recentes estudos científicos sobre a ZFM também refuta e derruba argumentos de opositores do modelo. No caso, as conclusões do artigo “A Aplicabilidade da Lei de Kaldor-Verdoorn no Polo Industrial de Manaus (PIM)” descartam as críticas de que se trata de uma indústria maquiladora e incapaz de crescimento endógeno (próprio) e comprova a eficiência produtiva do parque fabril manauara.

O artigo, que recebeu menção honrosa no XIV Congresso de Produção Científica e Acadêmica da Universidade Federal de São João del-Rei, de Minas Gerais (UFSJ), em outubro de 2016, é de autoria dos economistas Renilson Silva e Marcos Reis e teve como base o período de 2002 e 2014. A Lei de Kaldor-Verdoorn foi escolhida por ser a teoria mais conhecida na área de Economia que faz a relação entre produtividade e produção.

“Produtividade é uma medida do quanto se produz de alguma coisa usando, ou apenas mão de obra, ou apenas máquinas e equipamentos, ou ambas. No nosso trabalho usamos ambas, e essa medida chamamos de produtividade total de fatores. Nós comparamos a produtividade total de fatores do PIM com a indústria de transformação brasileira. A primeira constatação que tivemos é que os trabalhadores do PIM, juntamente com as máquinas, são mais eficientes do que a média da indústria de transformação brasileira. Isto é, estamos empregando menos capital e trabalho para produzir mais. Se produzimos com mais eficiência, isso significa maior geração de riqueza, consequentemente, mais desenvolvimento econômico”, detalhou Renilson Silva, que é doutor em Economia titulado pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente é professor do curso de Economia pela UFSJ.

No estudo, os economistas chegaram ao coeficiente de 0,45, que representa a eficiência do PIM em usar os seus fatores de produção. “Esse número próximo de 0,5 foi o mesmo encontrado pelo próprio Kaldor quando ele fez esse estudo para o Reino Unido. Um aumento de um ponto percentual na taxa de crescimento do produto leva a um aumento de 0,4 pontos percentual na produtividade da indústria”, observou Silva, que já trabalhou na SUFRAMA.

Na avaliação dos especialistas, esse coeficiente de produtividade rebatem as críticas de ineficiência do modelo de desenvolvimento regional. “As principais críticas feitas em relação ao PIM referem-se ao fato de que esse não é o modelo de desenvolvimento adequado, que ele não é eficiente, que a indústria é maquiladora, que o modelo não é capaz de gerar crescimento próprio, etc. No entanto, nossos resultados mostram que o PIM é uma indústria dinâmica e capaz de gerar crescimento endogenamente. Isto é, ele é capaz de gerar e sustentar o crescimento por meio de suas economias de escala estáticas e dinâmicas. Economias de escala estáticas são resultantes dos custos fixos existentes na produção. Esse custo existe independente de se produzir qualquer unidade de produto. Então, quanto mais você produzir, melhor, pois menor será o custo fixo médio. Se isso acontece, temos economia de escala e mais ganhos para a sociedade. Já as economias dinâmicas de escala são resultado dos ganhos de produtividade associados às inovações trazidas pelo aumento da produção. As economias dinâmicas surgem via processo de learning by doing (de aprender fazendo). Portanto, quanto mais a indústria intensifica seus processos, mais os trabalhadores se qualificam e mais produtivos eles serão”, explica Silva.

Para o economista, um dos principais empecilhos para o PIM não crescer continuamente é o fato de que seus produtos não são essenciais e dependem muito da condição econômica do País. “O Processo Produtivo Básico, de uma maneira de outra, também engessa o crescimento da produtividade. Há mecanismos de flexibilização que precisam ser discutidos”, pontua.

Ciência na defesa
A superintendente Rebecca Garcia salienta que estudos científicos independentes são importantes para demonstrar a importância e os resultados benéficos da ZFM em oposição aos constantes ataques, normalmente opinativos, que o modelo costuma receber.

“Foram devidos a estudos científicos que ficou demonstrado, por exemplo, a correlação entre a existência da ZFM com a preservação de quase 98% da floresta nativa do Amazonas e que o modelo está longe de ser um paraíso fiscal, ao contrário, é um dos maiores pagadores de tributos estaduais e federais, ajudando na geração de renda e produção de riqueza do Brasil. Foram fatos e evidências como essas que derrubaram dúvidas e foram essenciais para a prorrogação da vigência da ZFM até 2073 ”, destacou Rebecca.

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