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Guiana Inglesa quer viabilizar rota terrestre entre Manaus e Georgetown

Iniciativa viabilizaria alternativa logística para a integração dos países com vistas às relações comerciais.
por Layana Rios publicado: 02/05/2013 17h39 última modificação: 01/03/2016 17h09

Uma comitiva do governo da Guiana Inglesa, liderada pelo diretor executivo do Comércio e Indústria nacional, Winston Brassington, esteve nesta quinta-feira (2), na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), para discutir alternativas logísticas para a integração dos países com vistas às relações comerciais a partir da rota Manaus-Georgetown.

A reunião faz parte dos trabalhos do subgrupo de Infraestrutura Brasil/Guiana, firmado a partir de um acordo de intenções entre os presidentes de ambos países cujo propósito é levantar as possibilidades logísticas de integração entre Brasil e Guiana. Participaram ainda da reunião representantes do Itamaraty e do Ministério dos Transportes.

Brassington informou que o governo da Guiana está com dois grandes projetos de integração com o Brasil. O primeiro permite a ligação terrestre entre Manaus e o porto de Georgetown. Para isso, é necessária a pavimentação de uma estrada de aproximadamente 450 quilômetros, que liga as cidades de Lethem, fronteira com o Brasil, a Linden. De acordo com o diretor, de Linden até o porto de Georgetown, a rodovia, de cerca de 100 quilômetros, já está pavimentada. O porto de Georgetown atualmente recebe embarcações com até 5 metros de calado, com um trafego de aproximadamente 60 mil contêineres por ano. “Assim como Manaus, importamos bastante. A maioria dos contêineres vem dos Estados Unidos e fica em tráfego na Jamaica”, explica Brassington. O segundo projeto é a construção de um porto de águas profundas em New Amsterdam, a 150 quilômetros de Georgetown. A previsão do governo da Guiana é de iniciar o projeto da rodovia em 2014, com uma previsão de término em dois anos. Iniciada a rodovia, seria dado início a efetivação do projeto do porto.

O superintendente da SUFRAMA, Thomaz Nogueira, recebeu a comitiva apresentando o modelo Zona Franca de Manaus e a importância do Polo Industrial de Manaus (PIM) como alternativa socioeconômica e ambiental, ao gerar emprego, renda e ainda contribuir para a manutenção da vegetação nativa do Estado do Amazonas, ao oferecer uma alternativa econômica que não devasta a floresta. “O Amazonas é um exportador líquido de capital federal. O Estado recolhe 53% dos tributos federais, o equivalente a cerca de R$ 9 bilhões e fica apenas com R$ 2,5 bilhões desse valor, portanto a ZFM é uma solução econômica para o Brasil”, afirma o superintendente.

Nogueira frisou, ainda, as questões logísticas que envolvem o PIM, tanto para a aquisição de insumos, quanto para o escoamento da produção. “Esse diálogo com a Guiana passa também por um interesse da ZFM alinhado ao governo federal. Um dos nossos desafios é melhorar o nosso desempenho logístico”, afirma.

Nogueira informou que a SUFRAMA está dialogando com os países da panamazônia, especialmente Peru, Equador, Colômbia e Venezuela, para incrementar as trocas comerciais entre os países e para buscar otimizar a possível logística para a chegada de insumos ao PIM. “No ano passado tivemos várias reuniões, este ano já fomos ao Peru e devemos ir ao Equador no mês de maio, para trabalhar nesses dois objetivos”, observa.

Segundo o superintendente, as duas oportunidades são possíveis também com a Guiana. “A primeira oportunidade é incrementar o comércio com o que podemos comprar da Guiana. Temos que identificar uma pauta de produtos que podem ser comprados do país, e, de outro lado, também temos que verificar o que podemos vender ao país. Produzimos motocicletas, televisores, entre outros exemplos. Precisamos tratar os aspectos legais e alfandegários para tentar incrementar esse comércio. O segundo aspecto são as alternativas logísticas. A minha expectativa é que esse encontro seja o primeiro passo para que possamos incrementar essas relações binacionais”, apontou.

Após a apresentação de Nogueira, a comitiva assistiu uma apresentação do grupo francês CMA/CGM, a terceira maior empresa de navegação do mundo, que mostrou a logística das principais rotas utilizadas pela empresa. Em seguida, o diretor geral de Desenvolvimento Industrial da Moto Honda, João Mezari, fez uma breve apresentação das instalações da empresa no PIM e o funcionamento da escoação dos produtos.

A comitiva realizou ainda duas visitas técnicas, uma a Recofarma e outra ao Porto Superterminais, ambas com o objetivo de conhecer as operações logísticas de importação e exportação de insumos.

Bressington lembrou que atualmente muitos contêineres são transportados vazios a partir de Manaus, de acordo com a produção a ser escoada, e que essa também seria uma oportunidade para a Guiana fazer chegar seus produtos ao mercado brasileiro. O grupo segue na quarta-feira (03) para Boa Vista (RR) e até o mês de junho deve apresentar o resultado dos estudos aos presidentes de cada país, para assinatura de um acordo bilateral.