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Lançada a “pedra fundamental” do design no Amazonas

Mapeamento do setor deve embasar uma política pública de design no Brasil.
publicado: 29/11/2013 21h37 última modificação: 16/02/2016 12h31

O debate entre palestrantes e participantes do seminário “Design como ferramenta para incremento de negócios na Zona Franca de Manaus”, realizado na tarde de sexta-feira (29) como parte da VII Jornada de Seminários da Feira Internacional da Amazônia (FIAM), trouxe boas notícias para o segmento, em especial no Amazonas. Entre elas, a de que o Estado fará parte do programa Designexport, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a partir do ano que vem, e que, em maio, deverá ser lançado um mapeamento do setor, para embasar uma política pública de design no Brasil.

Durante quase quatro horas de discussões, no Studio 5 Centro de Convenções, ficou claro que há um sentimento comum de que o design é bom para as empresas, gera lucro e é o maior diferencial competitivo entre os produtos da atualidade, mas que, apesar de todas as características positivas, enfrenta forte resistência do empresariado na hora do investimento.

O seminário iniciou com a palestra do especialista em branding, Guilherme Sebastiany, que mostrou como as marcas ajudam uma empresa a vender mais, ressaltando que as empresas podem ter os melhores atributos desejados pelo consumidor, mas de nada adiantará se ela não parecer tê-los. “A marca é como um iceberg. A estratégia e a identidade formam a maior parte, que está submersa. O consumidor só vai ver a ponta, que é o nome, o logotipo, a embalagem, a publicidade, enfim, os pontos de contato. E essa ponta tem que representar da melhor forma possível o que está na base. Uma marca ruim pode botar tudo a perder”, disse Sebastiany.

O especialista explicou que a empresa deve ter personalidade e não pode querer ser igual às outras, muito menos ser esquizofrênica, querendo agradar a tudo e a todos. “Você tem que ser notado, primeiramente, depois tem que causar uma primeira impressão positiva, fazer com que o consumidor perceba os seus atributos, que a marca transmita sua mensagem, que gere pregnância (seja lembrada), transmita qualidade e que, uma vez vencida todas essas etapas, ajude o consumidor a se decidir por ela que, no final das contas, é o mais importante, é o que a empresa quer”, resumiu.

Competitividade global
A segunda palestra foi dos professores da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), Alexandre Oliveira e Iuçana Mouco, que falaram sobre o design local e a competitividade global, com exemplos de empresas que investiram em design no Amazonas e tiveram excelente retorno.

Eles defenderam a criação de uma identidade amazônica para o design como forma de ganhar mercado e apontaram a falta de diálogo com o setor produtivo como um dos motivos pelos quais o setor não alcança o espaço que poderia. “Há uma série de fatores para que isso não esteja ocorrendo, entre eles a falta de fomento para os negócios, a falta de uma política para absorver a mão de obra de excelência que estamos formando (nossos mestres e doutores estão todos indo para fora do Amazonas) e a falta de investimentos em pesquisa, que nos aproxime dos grandes centros”, disse Oliveira. “Temos boas iniciativas, quem investiu não se arrepende, mas acho que muitos ainda precisam saber que o design existe por aqui e, de nossa parte, é preciso fazer o dever de casa para saber o que o mercado está querendo”, defendeu Iuçana Moco que, dentre outros exemplos, falou sobre a ITV digital, que entregou a designers amazonenses a criação da interface digital de seus set-up boxes, além do produto em si e dos manuais e embalagens, e obteve excelente retorno.

Quem encerrou a rodada de palestras foi Marco Lobo, da ApexBrasil. Lobo explicou como o órgão do governo federal adotou o design, a inovação e a sustentabilidade como principais ferramentas para fazer o produto brasileiro ganhar o mercado mundial e ressaltou a importância de fazer o empresário enxergar esse potencial. “O empresário não inova sozinho. É preciso um sistema que ajude a fomentar esse processo”, explicou. “Estamos trabalhando no mapeamento do design brasileiro e até maio do ano que vem deveremos ter um embasamento muito bom para uma política pública de design no Brasil”, anunciou, esclarecendo que a Apex possui mais de 70 empresas brasileiras cadastradas no programa Designexport. “O trabalho se dá por meio de consultorias e capacitação para as empresas, orientando-as na identificação de oportunidades de inovação e na escolha de escritórios de design mais adequados a cada perfil. Temos consultores que acompanham todas as etapas do desenvolvimento dos novos produtos e serviços, orientando e ensinando os empresários a gerirem este processo”, disse Marco Lobo.

O programa da ApexBrasil não tem nenhuma empresa cadastrada no Amazonas, realidade que, durante o seminário na VII FIAM, Marco Lobo disse que será mudada. “Temos uma boa notícia para dar para vocês. No ano que vem vamos estar no Amazonas cadastrando empresas para serem selecionadas no Designexport”, avisou Lobo. “E não é só isso. Em 2015, haverá bienal de design em Florianópolis. Como sei que é ano de FIAM, nada impede que façamos uma parceria para trazer o que for discutido e mostrado lá para a Feira da Amazônia”, completou.

Passe para o futuro
Durante os debates, fomentados pelo mediador Alessandro Dias, do Instituto DiDesign, foi ressaltada a importância de mudar o status atual do País, onde o empresário não entende bem o que é o design e o designer não ajuda muito, tentando impor uma forma de pensar que foge do que o empresário está acostumado. “Mas quando o empresário enxergar que o concorrente está faturando bem mais porque investiu em design, que design gera lucro, é negócio, vamos romper essa barreira”, disse Guilherme Sebastiany.

Sobre o fato de o Polo Industrial de Manaus possuir 600 empresas, mas praticamente não ter criação local, Sebastiany aconselhou a começar devagar. “Vamos encontrar pessoas dispostas em investir e transformá-las em multiplicadores. E, neste caso, acho que os micro empresários são o melhor caminho”, completou.

“O que vi aqui é que já existe uma boa massa crítica. Também não faltam empresas precisando de design. Acho que só falta mesmo é alguém para fazer a ligação entre os dois no Amazonas”, avaliou Ken Ono, do Centro Brasil Design (ONG com sede em Curitiba), que atuou como relator no seminário.

Ao final dos debates, Marco Lobo avaliou o seminário de design na FIAM como “a pedra fundamental do design no Amazonas”, apostando que, se Manaus souber fazer a ligação citada por Ken Ono, poderá em 2019 até estar sediando a Bienal Brasileira de Design. “Acho que demos o passe para o futuro”, completou, lembrando o slogan da sétima FIAM.

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