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Pirarucu e açaí são destaques na troca de experiências em seminário sobre a Pan Amazônia

Evento faz parte da programação da Feira Internacional da Amazônia, realizada pela SUFRAMA.
por Enock Nascimento publicado: 29/11/2013 17h44 última modificação: 16/02/2016 12h45

Representantes de países que vivenciam problemas, desafios e possibilidades similares por integrarem a mais estratégica região do Planeta trocaram experiências e análises no Seminário “Desafios para o Uso Sustentável da Biodiversidade na Pan Amazônia”. O evento, que faz parte da programação da Feira Internacional da Amazônia (FIAM) 2013, ocorreu nesta sexta-feira, dia 29, no Studio 5, e contou com oito palestrantes, sendo cinco estrangeiros, que destacaram pesquisas sobre o açaí, o camu-camu, bem como a descoberta de uma nova espécie de perereca e o sexo do pirarucu.

A palestra de abertura foi ministrada pelo embaixador do Suriname e secretário-geral da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Robby Ramlakhan. O diplomata discorreu sobre o histórico e as atividades da OTCA, organismo intergovernamental formado por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. “A OTCA foi criada para ser um fórum permanente para promover ações de cooperação e integração regional que resultem na melhora da qualidade de vida dos habitantes da Amazônia”, resumiu o embaixador, salientando que a região panamazônica representa mais de 8,2 milhões de quilômetros quadrados e soma uma população de quase 400 milhões de pessoas.

Em seguida, o coordenador de biodiversidade do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Cláudio Ruy Vasconcelos da Fonseca, abordou a contribuição do instituto para a pesquisa científica na Amazônia. Em 40 anos de atividade, o Inpa já titulou 1876 pesquisadores, sendo 1489 mestres e 387 doutores. Outra contribuição destacada foi o fato de 378 novas espécies na Amazônia terem sido descobertas pelos cientistas do instituto em pesquisas realizadas de 1973 a 2013. Delas, 600 são insetos (tipos primários); 70 peixes; 11 mamíferos, e 57 são holótipos da botânica.

“Uso sustentável da biodiversidade amazônica colombiana: Perspectivas” foi o tema da representante do Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas (SINCHI), da Colômbia, Marcela Carrillo. A pesquisadora enfatizou os estudos desenvolvidos para agregar valor aos produtos oriundos do açaí e o camu-camu como solução de geração de renda para comunidades localizadas na floresta colombiana, “a segunda com maior biodiversidade no mundo, atrás apenas do Brasil”.

Sexo do pirarucu
O presidente do Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIAP), Keneth Reátegui, ressaltou que em 30 anos de atividades o IIAP, cuja criação está no artigo 2 da constituição peruana, recebeu o acumulado de US$ 80 milhões em financiamento. “Devolvemos como retorno, US$ 150 milhões de lucros como resultado efetivo das pesquisas desenvolvidas. Isso é uma resposta para os que sempre questionam o investimento em ciência”, frisou.

Uma das pesquisas ressaltadas pelo cientista foi o estudo sobre a reprodução e identificação sexual do pirarucu, que pela dificuldade de determinação já foi considerado como hermafrodita. O instituto peruano desenvolveu um kit para definir o sexo do pirarucu. “Também descobrimos que o peixe macho dessa espécie age igual aos homens brasileiros. São monógamos e têm apenas uma fêmea durante toda a vida”, disse Reátegui, arrancando risos da parte feminina do público.

O pesquisador defendeu uma maior integração da Pan Amazônia e deu seu exemplo pessoal para ressaltar a urgência do tema. “O Peru fica aqui do lado de Manaus, mas para chegar aqui, fiquei mais de dez horas no avião porque antes o voo teve de passar por São Paulo”, frisou.

Outras palestras internacionais foram ministradas por Kenneth Goenopawiro, da Anton de Kom University of Suriname e Raquel Thomas, Diretora do Iwokrama International Centre for Rain Forest Conservation and Development, da Guiana.

Goenopawiro falou sobre o projeto Guiana Shield e destacou os desafios da sustentabilidade no Suriname, país de 500 mil habitantes e com 20 idiomas oficiais. O cientista sublinhou que o país vive principalmente da exploração do ouro (inclusive com a presença de garimpeiros brasileiros) e que por causa do alto preço internacional do metal ainda não percebeu as vantagens econômicas de se investir em produtos da floresta.

Raquel Thomas contou detalhes do funcionamento da floresta tropical internacional de Iwokrama, um projeto científico ambicioso em gerenciamento sustentável dos recursos de floresta tropical para o benefício de índios de etnias como o macuxi. Na reserva internacional, que já funcionou como local de caça do príncipe Charles foi descoberta uma nova espécie de rã.

Bolsa floresta
O superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável, Virgílio Viana, falou sobre os resultados de projetos como o bolsa-floresta, que remunera comunidades ribeirinhas para preservarem a mata nativa. “São R$ 1453,00 por família/ano”. Viana ressaltou ainda a criação de um curso técnico em produção sustentável para estudantes que moram na região do Juruá. No lugar de monografia, os formandos deverão apresentar um plano de negócios para institutos de fomento da região, o que já poderá significar um financiamento certo para um negócio de empreendedorismo que irá gerar renda sem afetar o equilíbrio ambiental.

O superintendente adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Regional da SUFRAMA, José Nagib, discorreu sobre os resultados socioambientais e econômicos da Zona Franca de Manaus (ZFM), diretamente responsável pela preservação de 98% da floresta no Amazonas. Nagib, que também atua como coordenador do projeto de implantação do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) também abordou os desafios e potencialidades do centro de pesquisa.

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