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Polo de Duas Rodas discute medidas para aumentar competitividade

Empresas fabricantes de bens finais, componentistas, entidades de classe da indústria, sindicatos e órgãos governamentais com atuação no Polo de Duas Rodas tiveram um dia inteiro de discussões sobre o segmento.
por Diego Queiroz publicado: 28/03/2013 16h53 última modificação: 07/03/2016 15h15

Empresas fabricantes de bens finais, componentistas, entidades de classe da indústria, sindicatos e órgãos governamentais com atuação no Polo de Duas Rodas tiveram um dia inteiro de discussões nesta semana, na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), para buscar definições para o plano de competitividade – que está sendo elaborado para fortalecer o segmento – e avançar na proposta de alteração de Processos Produtivos Básicos (PPBs) referentes às motocicletas (incluindo partes, peças e componentes) produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Foram duas reuniões na última quarta-feira (27). A primeira, na parte da manhã, tratou do plano de competitividade que está sendo construído para o segmento de motocicletas do PIM. A criação do plano foi proposta em fevereiro, em meio a discussões coletivas entre empresas, governo e entidades de classe sobre alternativas para o difícil momento atravessado pelo segmento. O ano passado apresentou perdas de faturamento, em dólar, na ordem de 19%, com diminuição da produção, e os números de 2013, referentes a janeiro, apontaram a produção de 124.783 motocicletas, resultado superior apenas aos de 2009, ano da crise internacional. Dados sobre emplacamento de motos, referentes a fevereiro, apontaram 101 mil emplacamentos de motocicletas no país, o pior número desde fevereiro de 2006.

Neste contexto, o plano de competitividade visa definir medidas que possam promover melhorias pontuais no segmento a curto, médio e longo prazo. Para organizar e executar as ações estruturantes que integrarão o plano, será instalado um comitê com representatividade de instituições como Aficam, Simplast, Sindipeças, Simefre, MDIC, MCTI, Governo do Estado do Amazonas e Abraciclo, com realização de reuniões periódicas nos próximos meses. A liderança do comitê e a responsabilidade pela sistematização de todas as demandas e propostas estará a cargo da SUFRAMA. Os grupos de ações definidos até o momento estão centrados em temas como tributação, logística e redução de custos. Uma nova reunião do comitê foi marcada para o final de abril.

De acordo com Gustavo Igrejas, superintendente adjunto de Projetos da SUFRAMA, “há um conjunto de entraves, desde questões burocráticas até de logística e qualificação específica de trabalhadores, que impactam negativamente nos custos das empresas e, com isso, afetam a competitividade do segmento como um todo. A ideia do plano é fazer o necessário para que esses entraves sejam solucionados a partir de medidas que sejam práticas e efetivas. Vamos fazer um quadro de ações, estabelecer um cronograma e acompanhar a execução em busca dos resultados”.

Discussões sobre PPBs
Na parte da tarde, a SUFRAMA realizou nova reunião para dar continuidade às discussões sobre alterações nos Processos Produtivos Básicos (PPBs) do segmento de Duas Rodas. Houve avanços significativos em relação à última reunião, realizada em 19 de fevereiro. A SUFRAMA chegou a apresentar, inclusive, minutas iniciais da proposta de alteração nas Portarias Interministeriais tanto de partes e peças (Portaria nº 182, de 2004) quanto de produtos acabados (Portaria nº 195, de 2011).

A proposta da SUFRAMA é centrada, principalmente, no adensamento da cadeia produtiva e simplificação de regras e conceitos presentes no PPB vigente. Com relação ao adensamento, principal foco das discussões, as maiores alterações propostas dizem respeito ao aumento das exigências no número de operações realizadas com partes e peças regionais e nacionais e também a ajustes para reduzir eventuais distorções nas regras atuais. No texto da minuta, a soldagem do chassi, por exemplo, passará a ser obrigatória em todos os modelos de motocicletas até 450 cilindradas que superem o volume de dez mil unidades anuais produzidas. Na regra atual, ela é obrigatória apenas para volumes de produção acima de 20 mil unidades/ano. Outro ponto defendido pela autarquia refere-se às motocicletas de alta cilindrada (acima de 450 cm3), produto que atualmente, por contar com regras muito flexíveis, tem demonstrado baixo índice de verticalização no processo fabril.

Segundo Gustavo Igrejas, “o Polo de Duas Rodas está passando por um momento bastante difícil e um dos pontos mais negativos nos últimos meses foi a elevação da participação de insumos importados na produção. No nicho de motocicletas de alta cilindrada, inclusive, houve um processo de desverticalização claro e preocupante. Precisamos rever e recuperar isso”. Para o superintendente, “a SUFRAMA não pode deixar sob risco um segmento que é extremamente importante para a região. Temos consciência da crise que o setor está passando e não queremos trazer mais problemas para as empresas, mas ao mesmo tempo entendemos que o momento é propício sim à revisão dos PPBs e vamos buscar a forma mais harmoniosa possível, como sempre temos feito, para definir as novas regras”.

Na próxima semana, a autarquia realizará reuniões específicas com empresas e entidades para tratar sobre regras produtivas de componentes e discutir etapas e exigências de fabricação no nicho de motocicletas de alta cilindrada. Após estas reuniões (e a análise das manifestações), a SUFRAMA fará os ajustes nas minutas das Portarias Interministeriais, para que possam, então, seguir o rito oficial de fixação e alteração de PPBs no País. Até o momento, não foi definido um prazo para que as novas regras produtivas do segmento passem a vigorar.

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