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Seminário da FIAM 2015 aponta alternativas para a interiorização do desenvolvimento a partir da ZFM

Alguns subsetores, como o de concentrados para bebidas, estão entre as principais alternativas capazes de assegurar a continuidade da ZFM nos próximos 50 anos.
publicado: 19/11/2015 12h45 última modificação: 27/01/2016 11h52

Os subsetores de concentrados para bebidas, cosméticos e fitoterápicos estão entre as principais alternativas capazes de assegurar a continuidade da Zona Franca de Manaus (ZFM) nos próximos 50 anos e promover o desenvolvimento no interior do Amazonas. O assunto foi discutido nesta quinta-feira (19), no auditório do Serviço Nacional da Indústria (Senai-AM), no seminário “Desafios econômicos da ZFM para o futuro – integração com o Interior do Amazonas”, que compõe a programação da Jornada de Seminários da Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2015).

Com uma produção média de 80 mil toneladas por ano e 26 empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), a indústria de concentrados foi apontada pelo economista e consultor empresarial Rodemarck Castelo Branco como um dos caminhos para aproximar o PIM do interior do Estado. O palestrante explicou que a viabilidade de gerar produtos com maior valor agregado é real, já que as principais marcas do mercado internacional estão em Manaus, como, por exemplo, a Coca-Cola, a Pepsi e a Ambev.

“Precisamos aproveitar esses grandes nomes para lançar no mercado a graviola, o cupuaçu, o açaí e outras frutas. A produção regional do açaí, por exemplo, ainda é baseada no extrativismo, com exceção do que acontece no Pará. Já existe uma enorme demanda nacional e internacional pelo açaí. Então essa é uma oportunidade de termos uma política agrícola voltada à fabricação de produtos com maior valor agregado, como a polpa e o açaí pasteurizado”, defendeu.

O prefeito de Presidente Figueiredo (AM), Neilson Cavalcante, era um dos gestores municipais presentes no debate. Ele explicou que o município já é beneficiado com o funcionamento da empresa Jayoro, que fornece açúcar e guaraná para a indústria de refrigerantes Recofarma e também insumos para a produção de sucos. “A Jayoro está no município desde 1995 e produz uma média anual que varia de 190 a 210 toneladas de cana de açúcar. Por ano, a geração de empregos na empresa varia de 600 a 800 trabalhadores e mais de 95% deles são de Presidente Figueiredo, o que beneficia o município”, enfatizou.

Mas o fortalecimento da produção de concentrados, cosméticos, fitoterápicos e da cadeia de turismo depende da destinação de recursos já existentes que são arrecadados pelo Governo do Estado junto às indústrias. Segundo o economista Rodemarck Castelo Branco, as indústrias pagam por ano aproximadamente R$ 800 milhões referentes ao Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI). Além disso, outros R$ 300 milhões são pagos na forma do Fundo de Fomento às Micro e Pequenas Empresas (FMPE). “Recursos existem. O problema é a aplicação desses recursos. São fundos importantes para alavancar algumas atividades”, finalizou Castelo Branco.

Aposta nas bicicletas
Ao abordar as possibilidades de diversificação no parque tecnológico do PIM, o economista e consultor Luís Paulo Rosenberg afirmou que o próximo cluster será o da indústria de bicicletas, a exemplo do que já acontece na produção de motos. De acordo com ele, a empresa Houston estará instalada em Manaus até o final deste ano e a tendência é que novos fabricantes de componentes venham produzir no PIM.

Outro fator que contribui para a consolidação dessa cadeia produtiva é o crescimento da participação do PIM no mercado de bicicletas de alto valor agregado. Para demonstrar essa expansão, Rosenberg apresentou resultados de um estudo realizado por sua consultoria, a Rosenberg Associados, a partir de uma solicitação da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). “No mercado brasileiro de bicicletas de valor agregado, as fábricas do Polo de Manaus já possuem 50% de participação e esse percentual está crescendo. A tendência é a verticalização dessa produção com tecnologia de ponta e a exportação de produtos para a Europa, competindo com a China”, afirmou Rosenberg.

Para que outros setores consigam repetir a trajetória das fabricantes de bikes, Luís Paulo defende que o empresariado e o setor público precisam atuar de forma conjunta para buscar esses ramos promissores e agir proativamente para que eles tragam resultados.

Dentre esses ramos promissores, está ainda a fabricação de equipamentos médicos, segundo o doutor em economia da Universidade Federal do Amazonas, Mauro Thury. “De 2020 a 2030 haverá um processo de envelhecimento da população mundial e alguns equipamentos que hoje são apenas de uso hospitalar passarão a ser consumidos pelas famílias”, disse.

A aquicultura e a pesca seriam outras alternativas, segundo Thury. “Há uma demanda por proteína e no Amazonas boa parte dos municípios é especializada nesta área, o que não significa dizer que são competitivos. Mas estas duas atividades poderiam receber mais investimentos e incentivos estaduais”, afirmou.

Os palestrantes do seminário foram unânimes ao dizer que, antes da aplicação de recursos, é preciso haver um planejamento voltado à ZFM, com políticas e estratégias direcionadas à sua diversificação e à inclusão de outros segmentos que aproveitem as matérias-primas regionais e as vantagens ambientais.

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