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Seminário de Cosméticos da FIAM 2015 discute projeto estruturante para sete Estados da Região Norte

Segundo especialista, as indústrias instaladas na Amazônia devem aproveitar as demandas que estão surgindo nos países europeus para ampliar sua atuação.
publicado: 18/11/2015 16h56 última modificação: 28/01/2016 11h00

As oportunidades, os gargalos e a rede de conhecimentos já existentes sobre o setor de cosméticos estiveram em pauta na manhã desta quarta-feira (18) durante o III Seminário de Cosméticos de Base Florestal da Amazônia, que integra a programação da Jornada de Seminários da oitava edição da Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2015). O debate contou com a participação de representantes de indústrias, varejistas, consultores e pesquisadores interessados em desenvolver cadeias produtivas locais, padronizar os insumos, ampliar a competitividade dos produtos e ampliar seus canais de comercialização no Brasil e no exterior.

Com recursos orçados em aproximadamente R$ 5 milhões, o Projeto Estruturante de Cosméticos de Base Florestal da Amazônia é o foco do seminário. Desenvolvida desde 2013 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) nos sete Estados da região Norte, esta iniciativa tem encerramento marcado para 2017. Além do Sebrae, o projeto conta com o envolvimento de comunidades fornecedoras, micro e pequenas indústrias de cosméticos e instituições de ensino e de pesquisa.
Segundo a coordenadora do projeto no Sebrae-AM, Wanderléia Oliveira, o recurso programado para a realização do projeto no Estado é de R$ 1,3 milhão. No “pacote” de informações apuradas até o momento, já constam os entraves e também as oportunidades do segmento de Higiene, Beleza e Cosméticos. No Amazonas, há apenas nove empresas oficialmente cadastradas no ramo, enquanto na região Norte são 48.

“As oportunidades são muito grandes. Nos últimos 18 anos, o mercado brasileiro de cosméticos apresentou crescimento médio anual de 10%, ocupando a terceira posição no ranking mundial de consumo. Então precisamos ampliar a participação do Norte. Temos em nossa região a fonte de insumos para cosméticos naturais e nosso desafio é deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima para desenvolvermos produtos com valor agregado”, avaliou a coordenadora.

Sobre as dificuldades, Wanderléia cita que as principais são a falta de padronização da matéria-prima, a baixa qualificação da mão de obra e os custos logísticos, que interferem no preço final dos produtos. “Nosso objetivo é desenvolver conhecimentos normativos, tecnológicos e mercadológicos e, por meio deles, proporcionar maior segurança ao setor”, afirmou Oliveira.

Para a coordenadora nacional do projeto, Hulda Oliveira, uma das contribuições do seminário realizado na FIAM 2015 será a oficina que acontece nesta quinta-feira (19) na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), das 9h às 16h, com a participação de representantes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A tônica do encontro será a identificação de demandas de normalização para insumos utilizados na indústria cosmética. “Mapeamos todo o conhecimento da produção de cosméticos e agora vamos iniciar a elaboração da norma técnica para nortear as análises laboratoriais. A norma técnica será publicada pela ABNT e disponibilizada para todo o setor”, explicou.

De acordo com a representante da consultoria Planeta Orgânico, Maria Beatriz Costa, as indústrias instaladas na Amazônia devem aproveitar as demandas que estão surgindo nos países europeus para ampliar sua atuação. “A bioeconomia é o tema do século 21. Só a Alemanha está disponibilizando 2.6 bilhões de euros para projetos destinados à bioeconomia”, destacou.

Orientação para empresas
Dentre os participantes do III Seminário de Cosméticos estava o diretor presidente da indústria Amazon Green, Francisco Aguiar. Para ele, os principais avanços proporcionados pelo projeto do Sebrae serão o levantamento de dados para a implementação da cadeia produtiva e o direcionamento para quem quer produzir na Amazônia. Desde 2007, a Amazon Green vem ampliando seu portfólio de produtos (shampoo, hidratante, sabonete, óleo, perfume etc) e hoje possui pontos de venda em shoppings de São Paulo e Manaus, além da distribuição feita por meio de parceria com outros lojistas.

“O cosmético que realmente tem ingrediente amazônico, como é o nosso caso, faz parte de um nicho de mercado próprio, diferente dos itens de supermercado. São artigos premium mais voltados à classe A que realmente trazem resultado. Não é apenas apelo de marketing”, ressalta.

O carro-chefe de vendas da Amazon Green é a linha de produtos feita com manteiga de cupuaçu. Um hidratante para mãos, por exemplo, chega ao mercado com o preço médio de R$ 50, enquanto o perfume da linha custa até R$ 150 (100 ml).

Acesso a novos mercados
O empresário Schubert Pinto, diretor executivo da indústria Pharmakos d’Amazônia, também participou do seminário e fez algumas considerações sobre os desafios do segmento. Em seu entendimento, as empresas têm uma grande necessidade de acesso a novos mercados e também carecem de orientação jurídica, sobretudo, para atendimento às demandas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desde 2001, a Pharmakos d’Amazônia fabrica cosméticos no Estado. Segundo o diretor, a empresa produz 123 itens e detém uma participação de 80% no mercado local, tendo como diferencial a construção de uma cadeia produtiva que beneficia fornecedores do município de Manaquiri e de cooperativas de pequeno porte. “Atender aos requisitos legais é a parte principal de uma empresa do setor. Além disso, é condição básica para exportar. Outra questão vital é a estrutura física da indústria”, disse.

Para Schubert, o fornecimento de matéria-prima não é um gargalo para a empresa porque a Pharmakos d’Amazônia realiza o cultivo orgânico de plantas medicinais certificadas, por meio do projeto denominado “Abonari”. Mensalmente, são extraídos da área de plantio 300 quilos de biomassa de crajiru. A planta é beneficiada e depois incorporada aos produtos.

Seminário
O III Seminário de Cosméticos é uma realização da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), do Sebrae-AM, da Associação Brasileira dos Sebrae Estaduais (Abase-Norte) e da consultoria Planeta Orgânico. Em complementação às discussões promovidas durante o seminário, até a próxima sexta-feira (20) serão realizados eventos e oficinas relacionados ao segmento de cosméticos dentro da programação da FIAM 2015, como a “Reunião Técnica com os Gestores do Projeto Estruturante de Cosméticos e “Encontro de Fornecedores e Demandantes de Insumos Amazônicos Utilizados na Indústria Cosmética”, ambos no dia 20.

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