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Seminário em São Paulo apresenta Amazônia como a "bola da vez"

Consenso é de que é chegada a hora de mudar o olhar sobre a região e incorporá-la ao processo nacional de desenvolvimento.
publicado: 26/05/2014 14h41 última modificação: 15/02/2016 11h57

É chegada a hora de mudar o olhar sobre a Amazônia e incorporá-la ao processo nacional de desenvolvimento. Esta sensação, de que o momento é propício para uma mudança de paradigmas e o início de um novo ciclo econômico e social na região, deu o tom do Seminário "Desenvolvimento Integrado da Amazônia Legal", realizado pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira (26), no Centro de Eventos do WTC, em São Paulo.

O seminário contou com a presença de uma série de representantes de instituições que atuam diretamente no desenvolvimento da Amazônia e de empresários dispostos a conhecer um pouco mais da região para poder iniciar - ou ampliar - investimentos.

Logo na abertura do evento, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, confirmou que a região Norte, que responde pela maior parte da Amazônia, foi a que apresentou o maior crescimento em termos de desembolso do Banco, saindo de R$ 5,3 bi em operações em 2007 para R$ 24,5 bi no ano passado. "A maior parte dos recursos é em infraestrutura, para dotar a região de condições para gerar um novo modelo de negócios", disse Coutinho. O BNDES anunciou que no próximo dia 29 de maio, em Belém (PA), vai lançar o primeiro volume de um estudo chamado "Amazônia: um olhar territorial para o desenvolvimento", que ajudará a jogar uma luz sobre as alternativas para a região.

A secretária de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração, Adriana Alves, avaliou que o Brasil ainda está entre os países mais desiguais do mundo e a Amazônia é exemplo desta desigualdade. "A região não está incorporada ao processo de desenvolvimento, mas o momento é de mudança", disse Alves. Mas ela apontou que a consolidação do tecido produtivo e o investimento em capital humano são caminhos que começam a ser trilhados e devem promover a mudança. "Devemos fixar mestres e doutores na Amazônia, estudar a estruturação dos corredores modais da região e promover a diversificação produtiva, com agregação de valor", apontou a secretária, indicando a Bioindústria com uma alternativa natural. "Agora é apostar e investir", resumiu.

Região preparada
Djalma Mello, superintendente da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), e Valmir Rossi, presidente do Banco da Amazônia (Basa), apresentaram números que comprovam um maior fomento à região a cada ano, esclarecendo aos interessados em apostar na Amazônia que existe uma série de linhas de financiamento e vantagens fiscais para tal. "Temos mais de R$ 20 bilhões de investimentos, sendo mais de 80% em infraestrutura, o que mostra que, cada vez mais, a região incrementa as condições de se sustentar", disse Djalma Mello. Rossi acrescentou que, em termos de infraestrutura, a região Norte é "a bola da vez" e o momento é de crescimento. "Se antes investidores ficavam com pé atrás em relação à Amazônia por causa de incertezas de legislação, estas chegaram ao fim com a consolidação do Marco Legal da região. Agora está bem claro onde e como se pode investir", apontou Rossi.

Abrindo o painel sobre potencial de negócios, Clovis Junior, da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), veio confirmar que em itens como a produção de energia elétrica, a região já está preparada para grandes investimentos. "Tivemos muito trabalho para fazer o gás de Urucu chegar a Manaus. Esta etapa foi vencida e agora é hora de usar esta opção, que tem menores custos e menor variação para o empreendedor, para fazer a região crescer", disse.

O superintendente da Zona Franca de Manaus, Thomaz Nogueira, encerrou o seminário apresentando o modelo de desenvolvimento instalado na capital amazonense como grande exemplo de projeto com baixa degradação ambiental e grandes retornos econômicos, tanto para o investidor, quanto para a população e o governo. "Criada há 47 anos, a Zona Franca gerou renda, emprego e contribuiu para reduzir desmatamento na Amazônia, sem precisar de grande aporte de recursos, visto que sua base é benefício fiscal e não em financiamento produtivo", explicou Nogueira. "O momento agora é de estender os benefícios por mais 50 anos e apostar na geração de conhecimento local, no desenvolvimento de produtos, para tornar o modelo ainda mais sustentável", apontou. "Se eu pudesse dar um recado para os empresários aqui presentes, diria que eles precisam ir à Amazônia, conhecê-la melhor e ver a imensidão de possibilidades que a região oferece para quem quer gerar emprego e ganhar dinheiro", disse Nogueira.

Pela quantidade de empresários que procuraram a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), Sudam, Basa e Cigás ao final do seminário, na Rodada de Negócios, o recado foi entendido.