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SUFRAMA discute internacionalização da ZFM via África

Ação abriria possibilidade de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus acessarem a um mercado consumidor de considerável poder aquisitivo e formado por mais de 500 milhões de pessoas na região da África Austral.
por Enock Nascimento publicado: 08/12/2017 08h20 última modificação: 13/12/2017 10h23

A possibilidade de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus (ZFM) acessarem a um mercado consumidor de considerável poder aquisitivo e formado por mais de 500 milhões de pessoas na região da África Austral foi discutida entre dirigentes e técnicos da SUFRAMA, representantes governo de Rondônia e do governo da Namíbia, nesta quinta-feira (7), na Sala das Adjuntas, na sede da autarquia em Manaus.

Durante a reunião, o superintendente da SUFRAMA, Appio Tolentino, agradeceu o convite do governo africano para a participação numa missão de negócios na Namíbia, previsto para o primeiro semestre de 2018. Tolentino também destacou que a concretização de um acordo bilateral com a Namíbia vem ao encontro dos projetos de desenvolvimento sustentável promovidos pela autarquia e da busca pela ampliação de mercados para a ZFM.

O vice-presidente da Câmara de Comércio Afro-Brasileira (Afrochamber) e representante do governo da Namíbia, Ricardo Latkani, explicou que a ideia do país africano é que os produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus (PIM) sejam enviados semiacabados para serem finalizados em fábricas na Namíbia. Outra medida, seria criar um entreposto da ZFM a ser instalado no porto de Walvis Bay, para comercializar e distribuir os produtos finais entre os países que fazem parte da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, da sigla em inglês, “Southern Africa Development Community”). O acordo também contemplaria o treinamento em Manaus da mão de obra do país, além de oferta de assistência técnica, de garantia e peças de reposição.

Conforme Latkani, a África Austral é a parte mais rica do continente devido às divisas obtidas com a exportação de pedras preciosas e urânio. A Namíbia, por exemplo, tem apenas dois milhões de habitantes, no entanto, consome mais de US$ 100 milhões por ano em cosméticos e perfumes, sendo que as poucas unidades de origem brasileira são adquiridas via Dubai. “Os africanos amam o Brasil. Quando ouvem algo sobre o Brasil eles são só sorrisos, mas eles ainda acham que o País não têm indústrias. O Brasil, por seu lado, desconhece o potencial desse mercado africano e seu ambiente amplamente favorável a negócios. Não sabe, por exemplo, que a Botswana é um dos países considerados menos corruptos do mundo. O Brasil precisa aproveitar essa empatia calorosa dos africanos e fazer negócios. Por isso, viemos fazer essa proposta de internacionalização da ZFM via Namíbia, pois temos certeza que será mutuamente benéfico para todos os envolvidos”, explicou Latkani.

Cartões e cobre
Um exemplo de produto com alto potencial de negócios na região citada pelo dirigente da Afrochamber é o dos terminais eletrônicos para leitura de dados de cartão (máquina de cartão de crédito ou débito). “Certa vez, estava perto de uma concessionária de automóveis e vi as pessoas carregando malas. Achei que elas compravam carros e já saíam para viajar. Depois me explicaram que nas malas estava o dinheiro que necessário para pagar o veículo. Ainda é muito raro o uso do cartão de crédito na África”, contou Latkani. Outra vantagem apontada é a possibilidade das fábricas do PIM adquirirem cobre diretamente dos países africanos. Atualmente, o cobre africano vai para a Europa (Bélgica) antes de ser comercializado para as indústrias do parque fabril manauara.

“É muito importante esse comércio direto. Hoje, a África adquire produtos da China que chegam, em média, após 70 dias. De Manaus até a África, via o porto de Walvis Bay, a média seria de 23 dias”, disse Latkani que é também representante de Desenvolvimento de Negócios no Brasil da Walvis Bay Corridor Group (WBCG).

Ao saber da relação entre a ZFM e preservação de mais de 90% da floresta nativa do Amazonas, o dirigente da Afrochamber salientou que esse benchmarking do modelo amazônico é ideal para ser replicado na África. “É muito importante o que vocês (ZFM) conseguiram: aliar o desenvolvimento tecnológico com a preservação ambiental. É um modelo que deve ser exportado. Afinal, a África também precisa proteger suas matas, suas girafas e seus rinocerontes”, frisou.

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