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SUFRAMA reúne com Peru para tratar sobre interligação comercial e logística

Durante o encontro, o representante do escritório comercial do Peru no Brasil apresentou o andamento das obras financiadas pelo governo peruano para a interligação com o Brasil pelo eixo Norte.
por Layana Rios publicado: 23/03/2019 11h20 última modificação: 23/03/2019 12h36

O superintendente da Zona Franca de Manaus, Alfredo Menezes, reuniu-se nesta sexta-feira (22), no gabinete da SUFRAMA, com o cônsul geral do Peru em Manaus, Gonzalo Guzman, e o representante do escritório comercial do Peru em Manaus, Victor Hugo Rondon, para tratar sobre as possibilidades comerciais e rota de integração logística com o Peru via porto de Paita, no oceano Pacífico. A reunião foi solicitada pelo deputado federal Capitão Alberto Neto (PRB), que também esteve presente no encontro. Participaram, ainda, o presidente da Eletros, José Jorge Júnior, o superintendente da MAPA no Amazonas, Guilherme Melo Pessoa, o representante da Moto Honda, Paulo Takeuchi, e técnicos das coordenações-gerais de Comércio Exterior e Estudos Econômicos e Empresariais da SUFRAMA.


Durante a reunião, o representante do escritório comercial do Peru no Brasil, Victor Hugo Rondon, apresentou o andamento das obras financiadas pelo governo peruano para a interligação comercial e logística com o Brasil pelo eixo Norte (IRSA Norte), que inicia no porto de Paita, no Pacífico, via rodovia até o porto de Yurimaguas, inaugurado em 2017. De lá, pela via fluvial, chega até a cidade de Iquitos onde, pela hidrovia do Amazonas, entra por Tabatinga até Manaus e, consequentemente, até a costa atlântica. “Pela rodovia são 941 quilômetros e pelas hidrovias, 2780 quilômetros até Manaus. Em relação ao tempo, leva-se 12 dias desde o porto de Paita até o porto de Manaus, e ainda temos conexões com os Estados de Roraima, Rondônia e Pará”, explicou Rondon. Atualmente tal rota é feita pelo Canal do Panamá e leva cerca de 24 dias.


Segundo Guzman, o governo peruano iniciou as obras de dragagem no trecho de Yurimaguas até Iquitos, onde o calado do rio não está apto para receber balsas de grande porte. “Investimos quase 250 milhões de reais para fazer a dragagem dos rios, que iniciou no dia primeiro de janeiro deste ano, por meio da Cohidro, empresa chinesa que venceu a licitação da obra”, informou, ressaltando a importância de estreitar o relacionamento entre os países para a viabilidade da rota. “Estamos trabalhando para beneficiar o ingresso de insumos que estão destinados a Zona Franca através do porto de Paita e dinamizar nosso intercâmbio comercial, gerando melhores condições para as populações da região norte. Temos uma rota quase pronta, o que falta é uma cooperação mais intensa entre nossos países”, afirmou. Rondon também apresentou uma lista de produtos que o Peru pretende exportar por meio desta rota ao mercado do norte brasileiro: alimentos hortigranjeiros, alimentos industrializados, frutos do mar, manufaturas, fertilizantes e materiais de construção.


O presidente da Eletros, José Jorge Júnior, afirmou que há grande potencial de exportação do segmento eletroeletrônico, carro-chefe do Polo Industrial de Manaus, mas que esbarra justamente no custo logístico para se obter mais competitividade. “O Peru vem crescendo enquanto economia e, nesse caso, teria um papel tanto como mercado consumidor, quanto para a entrada e saída de insumos. Ao exportar para cá o produto, imagino ainda que essas balsas precisam voltar carregadas para poder justificar o investimento. Nos colocamos a disposição para, junto com a equipe de comércio exterior da SUFRAMA, tentar superar algumas barreiras, pois temos o conhecimento de que alguns produtos ofertados no Peru são oriundos da China e poderiam ser adquiridos de Manaus”, afirmou.


O representante da Honda, Paulo Takeuchi, informou que a empresa já exporta um volume de motocicletas para o Peru, e inclusive já experimentou a rota de Paita. “Fizemos a experiência e a carga chegou em 14 dias, devido a subida do rio no sentido Brasil-Peru, mas o custo foi o dobro do que gastamos via Panamá. Se esse valor se equiparar ao custo do Panamá, já torna a rota atraente pois temos o ganho de tempo em 10 dias”, observou.

O coordenador-geral de Comércio Exterior da SUFRAMA, em exercício, Luís Frederico Aguiar, lembrou, ainda, que existe o Acordo Comercial ACE 58, entre o Peru e o Mercosul, que estabelece uma lista de produtos que ambos os países devem dar preferência na entrada, mas que ainda não está em pleno funcionamento para o lado brasileiro.


O superintendente da SUFRAMA, Alfredo Menezes, reforçou à equipe peruana o interesse em tornar a rota logística uma realidade e solicitou de todos os entes participantes da reunião uma força tarefa para a elaboração de um estudo com os principais produtos potenciais a serem exportados ao Peru, os insumos que poderiam usar a rota, uma sugestão de lista de mercadorias para serem trabalhadas no ACE 58, entre outros dados que possam ser relevantes ao tema. “A ideia é levar esse estudo já bem embasado ao Ministério da Economia e à bancada federal para que possamos avançar nas tratativas de viabilizar essa rota, que nos trará ganhos econômicos ao desenvolver o potencial exportador do Polo Industrial de Manaus”, afirmou. Uma próxima reunião do grupo ficou pré-agendada para o mês de abril.

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