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Técnicas criativas para incrementar turismo da Amazônia Ocidental são apresentadas na FIAM 2015

Evento apresentou ferramentas e técnicas simples para a inovação no setor, não apenas no sentido de criar novos produtos, mas de potencializar produtos turísticos já existentes.
por Layana Rios publicado: 19/11/2015 17h40 última modificação: 27/01/2016 11h44

O turismo criativo foi tema da Jornada de Seminários Internacionais da oitava edição da Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2015), nesta quinta-feira (19), no Studio 5 Centro de Convenções. Organizado pela Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), o seminário “Turismo Criativo na Amazônia Ocidental” apresentou ferramentas e técnicas simples para a inovação no setor, não apenas no sentido de criar novos produtos, mas de potencializar produtos turísticos já existentes.

“Em 2020 a expectativa é de que 1,6 bilhão de pessoas estejam viajando no mundo inteiro. Sem dúvida, o turismo é o grande propulsor da economia mundial e envolve diversas atividades numa só. Precisamos nos adaptar às novas circunstâncias e criar mecanismos para tornar o turismo mais criativo e inovador”, afirmou Jean Sigel, que é co-fundador da Escola de Criatividade, uma organização com sede em Curitiba especializada em consultoria, projetos e educação corporativa em criatividade e inovação aplicada aos negócios.

Segundo Sigel, o pertencimento, o encantamento e as histórias são os pontos principais para criar produtos turísticos inovadores. “Todo mundo tem a necessidade de fazer parte de algo maior, por isso temos que identificar quais são as autenticidades daquela região, o que faz com que as pessoas se sintam parte do local e levar isso ao turista. Isso é o que chamamos de pertencimento. Mais que promover, precisamos ainda encantar as pessoas para que elas se lembrem do local após o encerramento da viagem e, por fim, as pessoas não compram mais produtos, elas compram histórias que precisam ser identificadas e contadas”, explicou.

De acordo com Wilken Souto, que é diretor do departamento de produtos e Destinos do Ministério do Turismo (Mtur), a realidade atual é que os turistas querem se sentir cada vez menos turistas. “O turista quer vivenciar, experimentar com a comunidade local. Precisamos tocar o coração dele, trabalhando experiências únicas para encantar esse turista e fidelizá-lo, para que ele volte e tenha novas experiências”, afirmou.

Souto apresentou cases do “Tour de Experiência”, um projeto desenvolvido pelo MTur em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae) que utiliza como base as teorias da Economia da Experiência, que evidenciam exatamente que o turista não quer mais ser apenas contemplativo, mas sim o protagonista de sua experiência. “O projeto já capacitou 189 empreendimentos, auxiliando os profissionais de turismo a se adaptarem ao conceito da economia da experiência”, disse.

A programação do seminário contou ainda com um talk show com a participação do diretor de Marketing da Amazonastur, Nickolas Cabral; do chefe do departamento de Informação, Promoção e Eventos da Secretaria de Estado de Turismo e Lazer do Acre, Jaqueson Queiroga; do diretor de Turismo da Secretaria de Estado do Planejamento e Desenvolvimento de Roraima, Ricardo Peixoto; e do secretário de Turismo do município de Tefé (AM), Christophan Mota. Todos apresentaram informações sobre produtos turísticos e cases de sucesso de suas localidades.

Finalizando o evento foram apresentadas as experiências positivas de quatro empreendedores da região e ainda o projeto “Sentir a Amazônia em Portugal”, da empreendedora Lau Zanchi, que objetiva uma exposição sensorial itinerante de diversos conteúdos culturais e naturais da Amazônia, abordando turismo sustentável, ambiente, cultura e economia criativa.

Experiências
Quatro empreendedores do setor de turismo e de áreas afins apresentaram suas histórias e experiências inovadoras durante o seminário. Um caso de inovação de produto é o flutuante Abaré Sup, do sócio-proprietário Diogo Vasconcelos. “O flutuante não é uma novidade no Estado, mas trouxemos um produto com um foco diferenciado, voltado à sustentabilidade e à gastronomia. Percebemos que havia pessoas que queriam estar no flutuante, mas não se sentiam enquadradas nos serviços oferecidos em Manaus e o nosso produto atendeu essa demanda”, explicou o empresário.

O Abaré Sup é um complexo de flutuantes com cinco balsas, localizado no Rio Tarumã, em Manaus, com acesso através da Praia Dourada. “O Abaré não tem a pretensão de ser um produto popular, e sim turístico, ofertando algo diferenciado nos rios amazônicos”, afirmou Vasconcelos, ressaltando ainda que, nesse momento de crise industrial, o turismo é uma alternativa que precisa ter investimentos na região.

Quem também investiu no turismo foi o empresário Tayke Monteiro, diretor da agência Pra que Rumo, uma startup amazonense de ecoturismo e turismo de aventura. Trata-se de uma plataforma colaborativa que disponibiliza informações e venda de roteiros de aventura na Amazônia. “Mesmo com a crise, o turismo é o único setor que ainda cresce no Brasil. A alta do dólar é favorável para o turismo nacional, uma vez que a população deixa de ir ao exterior e passa a viajar mais internamente. Também é positiva para o turista estrangeiro, que tem sua moeda valorizada no Brasil. Nossa proposta é apresentar os produtos turísticos da região, utilizando a tecnologia, para que esse turista tenha informação e segurança de adquirir o serviço”, afirmou. A plataforma da empresa já conta com mais de 10 mil usuários, mais de 500 clientes e já movimentou cerca de R$ 80 mil em vendas.

O terceiro case apresentado no seminário foi o Local Hostel, dos proprietários Camila Gonçalves e Matheus Andrade. Localizado no Centro de Manaus, próximo ao Teatro Amazonas, o hostel tem dois anos e surgiu a partir de um plano de trabalho criado pelos empresários durante um curso de pós-graduação. “Identificamos pouca oferta de hostel em Manaus com o padrão de qualidade que vemos em outras localidades e buscamos oferecer um serviço diferenciado, onde a socialização e a interação com os hóspedes são o ponto principal do nosso negócio”, afirmou Camila.

Segundo Matheus Andrade, a Copa do Mundo em 2014 foi uma das principais estratégias para alavancar a divulgação do hostel, que acabara de entrar no mercado. “Muitos viram apenas o efeito financeiro da Copa, mas a nossa estratégia foi justamente aproveitar a demanda de hóspedes para estimular propaganda boca a boca, seguida das avaliações nos sites de viagem. Fizemos um preço diferenciado no primeiro mês de funcionamento e aumentamos nosso número de funcionários durante a Copa e desde então conseguimos o primeiro lugar nos principais sites colaborativos de viagem”, afirmou.

A última experiência de sucesso apresentada veio da comunidade de Tumbira, dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, em Iranduba (AM). Roberto Garrido trabalhou anos no setor madeireiro e conseguiu ver no turismo a alternativa para utilizar a floresta sem a necessidade de desmatá-la. “É a primeira vez que saio da minha comunidade para falar da minha experiência. Depois de ter irmãos presos por causa da madeira, me disseram para trabalhar com turismo. O meu principal problema era o acesso, que é muito difícil até a comunidade, mas eu acreditei no sonho, fiz um investimento e atualmente tenho uma pousada na comunidade. Faço as mesmas trilhas por onde trabalhei por anos com a madeira, levando os turistas que visitam nossa comunidade”, explicou.

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