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ZFM é tema estratégico para militares internacionais

O histórico, o funcionamento e as peculiaridades do modelo foram tema de palestra para a primeira turma do Curso Internacional de Estudos Estratégicos, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.
por Enock Nascimento publicado: 14/10/2014 15h24 última modificação: 10/02/2016 18h01

Idealizada como um projeto geopolítico pelo governo militar brasileiro, a Zona Franca de Manaus (ZFM) continua sendo um tópico importante de estudos para oficiais das forças armadas, inclusive os de fora do Brasil. O histórico, o funcionamento e as peculiaridades do modelo foram tema de palestra para a primeira turma do Curso Internacional de Estudos Estratégicos (CIEE), da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).

A palestra foi ministrada pela coordenadora-geral de Estudos Econômicos e Empresariais da SUFRAMA, Ana Maria Souza, nesta terça-feira (14), no auditório do Comando Militar da Amazônia, no bairro da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. Integram a primeira turma do CIEE oito coronéis que concorrem ao generalato, sendo três deles brasileiros e representantes da África do Sul, Egito, México, Nigéria e Índia.

A coordenadora iniciou o tema apresentando um panorama histórico da região, abordando o debacle provocado pelo fim do período áureo da exploração da borracha, após 1912. “Mais de 2,5 mil casas foram abandonadas em Manaus; e mais de seis mil pessoas morreram em decorrência de uma epidemia. Na frente do Porto de Manaus funcionou uma cidade flutuante de miseráveis com milhares de habitantes”, detalhou.

Em seguida, Ana Souza, abordou os cinco ciclos históricos pelos quais a ZFM passou ao longo dos seus 47 anos, iniciando com a concepção do modelo em 1957 (Lei 3.157/57) – efetivado no governo militar em 1967. Os principais objetivos que motivaram a criação da ZFM, foram: povoar a Amazônia, defender as fronteiras e tornar o Estado presente, interligando a região ao cenário nacional. “A ZFM tinha todas as variáveis para não dar certo. Localizada no meio da mata, pouco povoada e com uma população com baixo nível educacional, ela só se consolidou porque os militares consideravam-na estratégica para a região e fizeram de tudo para que ela tivesse êxito. Dificilmente o resultado seria o mesmo se o governo fosse civil”, observou.

Ciclos
O primeiro ciclo da ZFM, informou a coordenadora, vai de 1967 a 1975 e se caracteriza pela definição das três áreas de atuação da ZFM: indústria, comércio e agropecuária. Nesse período, o ponto mais forte do modelo é o turismo comercial pelo qual brasileiros começam a vir para Manaus para comprar produtos importados prontos.

O segundo ciclo, de 1976 a 1991, a ZFM é direcionada para substituir importações e o governo institui os índices mínimos de nacionalização. No ciclo seguinte (1992-1996), ocorre um grande impacto para o comércio da ZFM com a abertura da economia brasileira no governo Collor. “É nesse momento também que é criado o Processo Produtivo Básico, etapas necessárias que uma empresa deve cumprir para receber os incentivos”, disse Souza.

O quarto ciclo (1997-2002) é um dos melhores momentos da ZFM, de acordo com a palestrante, devido à exigência de que os tributos arrecadados no Polo Industrial de Manaus (PIM) fossem redirecionados para o desenvolvimento do interior da Amazônia. “Com esse dinheiro, por exemplo, foi criada a Universidade do Acre, foi feita a eletrificação rural em Rondônia, entre outras realizações”, frisou.
No quinto ciclo (2003 – até agora), analisou Ana Souza, a ZFM enfrenta grandes desafios, entre eles os de lidar com a não completa autonomia de gerar seus recursos, estruturar a produção agropecuária e diversificar a produção industrial.